As minhas
Alminhas são duas. São bonitas, bem dispostas e simpáticas.
Uma é calma e ponderada. A
outra é entusiasta e barulhenta.
Uma é tranquila, a
outra está sempre em festa.
Uma
Alminha é silenciosa e discreta, a
outra enche uma casa- não há como não dar por ela.
Uma ouve-me e não se zanga comigo, a
outra dá-me sermões e quase me põe de castigo.
Uma faz piadas de repente, sem que ninguém esteja à espera, a
outra tem o riso mais giro do mundo.
Uma é como uma livraria, a
outra é como uma feira popular.
As minhas
Alminhas adoram música e concertos. Estão sempre a descobrir novos sons que fazem questão de partilhar.
Uma envia músicas por mail, para alegrar os dias, a
outra grava cd's e faz compilações especiais a pensar em cada uma de nós.
As minhas
Alminhas gostam de cozinhar e fazer pratos diferentes que sempre correm bem. As minhas
Alminhas sabem sempre que filmes estão aí para ver, que peças são giras, que exposições são obrigatórias.
Quando vou a algum lado sem elas, e invariavelmente me perco, penso que se elas estivessem ali, ou pelo menos uma delas, eu já não estaria em apuros. As minhas
Alminhas têm muita paciência para mim e são capazes de ir comigo ao telefone uma viagem inteira, só para ter a certeza de que chego ao meu destino.
As minhas
Alminhas enchem os meus dias e tornam-nos únicos. É como se todos os dias fosse dia de festa.