Não é que os senhores das obras do prédio em frente ao nosso, raios os partam em bocadinhos muito pequenos, se esqueceram de desligar o rádio que está sempre a tocar AOS ALTOS BERROS e o dito esteve a noite toda a cantar?
Tentei ignorar e convencer-me de que iria conseguir adormecer. Pensei, «caramba, quem conseguia dormir no sudoeste, também consegue dormir assim». Que ingénua fui. Esqueci que nessas alturas estava atestada de alcóol e no dia a seguir não tinha de ir trabalhar. Quando o André Sardet começou a guinchar "foi feitiço", já passava da meia noite, achei que era altura de fazer qualquer coisa. Toda eu tremia de raiva, já que não lido muito bem com interrupções do sono ou impossibilitações de o levar (o sono) a bom porto. Fui buscar os tampões de silicone que comprei devido a intolerância aos litros de água que absorvo quando mergulho, e vai de colocá-los nos ouvidos. Resultado: levei a noite a acordar quase em pânico a achar que estava surda. Quando percebia o que se passava, tirava um dos tampões para ver se, por algum milagre, o rádio se tinha calado, mas não. Nada. Nadinha.