Pois que parece que os vasos das Alminhas tendem a sofrer de impulsos suicidas. De vez em quando - zás- atiram-se janela abaixo, sem mais, nem porquê. O primeiro a iniciar o ciclo suicida, foi o saudoso Marquitos, o manjerico alentejano, que se baldou dois andares que mais parecem três, para o quintal da vizinha.
Ontem foi um vaso de barro, o que por si torna a cena toda mais preocupante, que se atirou para... o passeio. Para além de ter perdido uma flor tão linda, branquinha, comprada há tão pouco tempo, temo que o vaso tenha acertado em cheio na cabeça de alguém. Se assim for, a vizinhança é menina para se juntar e linchar as Alminhas sem dó nem piedade.
Quando cheguei a casa e dei por falta do dito vasinho, espreitei para baixo e só vi dois cacos, sozinhos, no meio do passeio. Alguém levou os restos mortais da minha Azélia (era este o nome dela), para, quiçá, recuperá-la. Espero que sim. Descansa em paz, florinha. Desculpe qualquer coisinha, pessoa-que-poderia-ir-a-passar-no-momento-em-que-o-vaso-se-matou. A culpa não foi nossa, mas pelo sim, pelo não, tirei os vasos do parapeito, não vamos querer repetir a brincadeira.